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Conheça a Juçara e sua importância para a Mata Atl...

Conheça a Juçara e sua importância para a Mata Atlântica

A Juçara é uma palmeira que tem importância crucial para a manutenção do equilíbrio na Mata Atlântica

A palmeira Juçara (Euterpe edulis – Arecaceae) é uma espécie chave na manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica pois alimenta mais de 70 espécies de animais.

“Juçara”, “içara” e “jiçara” são derivados do seu nome em tupi: yu’sara

Jacutinga na JuçaraApresenta ampla distribuição geográfica, alta densidade de indivíduos na área de ocorrência, posicionamento no estrato médio da floresta e forte interação com a fauna.

Sua grande dispersão de sementes somada à presença de avifauna e condições específicas (umidade, sombra e calor) promove a preservação e ampliação de seu habitat natural, a Mata Atlântica. A recuperação deste bioma assegura a regulação do fluxo dos mananciais, manutenção da fertilidade do solo, fixação de carbono, proteção das encostas das serras e alta variabilidade genética.

É uma palmeira ideal para paisagismo. Não exige muito espaço e é um atrativo especial para passarinhos no jardim. Também é perfeita para recuperação de matas ciliares e outras áreas de reflorestamento da Mata Atlântica que já estejam povoadas com espécies pioneiras.

Floresce entre Setembro e Dezembro. Os frutos amadurecem entre Abril e Julho.

Usos da Juçara

O Palmito

Flores JuçaraEntre o tronco e a copa, há uma seção de cor verde, mais grossa, recoberta pelas bainhas das folhas. É de dentro desta parte que se extrai o palmito, que nada mais é do que as novas folhas que estão em formação.

A excelente qualidade e o alto valor comercial do palmito de Juçara faz dele um dos produtos florestais mais explorados do Brasil. Para sua obtenção é necessário o corte da palmeira, causando a morte da planta.

Sofreu extrativismo predatório e ilegal ao longo de séculos – era derrubada antes de gerar frutos, dificultando sua regeneração natural-, o que refletiu hoje na sua inclusão na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (Ministério do Meio Ambiente, 2008).

Fibras, ripas, caibros

Com a morte da palmeira, seus múltiplos produtos são disponibilizados: fibras para fabricação de vassouras, caibros e ripas para construções civis, folhas para cobertura temporária e forrageio.

Juçaí

Recentemente o processamento de seu fruto e o reconhecimento das propriedades terapêuticas de suas raízes vêm sendo difundidos, sendo Frutos Juçarafundamental, entretanto, que se tenha um manejo adequado para a espécie.

Uma alternativa viável e em crescente prática é o processamento da polpa dos frutos da palmeira Juçara, obtendo uma composição de bebida conhecida como Juçaí, semelhante em termos de textura, cor, sabor e composições nutricionais (salvo alguns compostos) ao Açaí, nativo da Região Amazônica.

Os frutos maduros, de cor arroxeada-escura, quando colhidos, selecionados, higienizados e postos de banho em água morna, são processados artesanalmente em peneiras ou batidos em máquina despolpadeira adequada (manivela/motor 0,5cv).

O manejo da Euterpe edulis através da utilização dos seus frutos no lugar da exploração do palmito mantém as árvores vivas. Contribui na difusão de sementes e mudas da espécie ainda por vários anos, cumprindo seu papel na floresta e mantendo este recurso genético e natural tão valioso.

Essa atividade torna-se ótima rede de empregos, cooperativas, renda e qualidade de vida para produtores rurais.

Regeneração natural da espécie

Araçari na JuçaraA dispersão dos frutos e sementes é feita a curtas distâncias, ocorrendo predominantemente em um raio de cinco metros da planta mãe, ocasionando um acúmulo de sementes em pequenas áreas.

Como consequência, a regeneração natural ocorre em manchas de alta densidade com até quatrocentas mudas por metro quadrado.

A longas distâncias, é realizada por vários mamíferos, entre os quais, morcegos, porcos-do-mato, serelepes e aves: sabiás, jacús, tucanos, macucos, jacutingas. Os dispersores, principalmente vertebrados, apresentam um papel importante, pois, ao removerem a polpa que envolve a semente, podem estar aumentando a probabilidade de germinação das sementes.

Não se reproduz por brotação, apenas por sementes, e demora até 10 anos para maturação.

Nomes Populares: Palmito-jussara, Açaí-do-sul, Ensarova, Içara, Iiçara, Inçara, Iuçara, Jaçara, Jiçara, Juçara, Jussara, Palmeira-juçara, Palmeira-jussara, Palmeiro-doce, Palmiteira, Palmiteiro-doce, Palmito, Palmito-branco, Palmito-da-mata, Palmito-doce, Palmito-juçara, Palmito-vermelho, Ripa, Ripeira

Cultivo

Deve ser cultivado sob meia sombra ou sol pleno, em solo fértil, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. As plantas jovens (até 3 anos) podem ser cultivadas em vasos, em interiores bem iluminados. Elas não Jacutinga na Içaratoleram sombreamento total ou sol pleno.

As mudinhas não devem ser trocadas de local bruscamente, com diferentes condições de luminosidade. Qualquer mudança deve ser gradual, sob pena de provocar a morte da planta. A Juçara gosta de ambientes permanentemente úmidos e quentes, mas é capaz de tolerar períodos curtos de estiagem, geadas e encharcamentos.

Multiplica-se por sementes, que devem ser extraídas de frutos colhidos bem maduros, sendo imediatamente despolpados em água corrente e plantados em saquinhos com areia de rio.

A terra deve ser mantida úmida e sombreada com sombrite ou sob a copa de uma árvore frondosa.

A germinação é lenta e desuniforme, podendo levar de 45 dias a 3 meses. A capacidade de germinação é bastante reduzida com o armazenamento, visto que as sementes tem elevada umidade.

Conhecer a Mata Atlântica também é sinônimo de #plantauma

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Pela Redação do Planta Uma. Fotos Google.

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